ARMADILHA
Sinto-me presa
No emaranhado da teia
De tecido emborrachado
Que abraça o meu ser.
Sugando
Toda a minha morada no lago virtuoso.
Com tentáculos famintos
Tenta eliminar o meu saber.
Cilada em tom de brincadeira
Esfacelou
Meu coração em camadas sangrentas.
As bordas pontiagudas
Revelam o possível
Encontro da liberdade.
Nos fios cortantes
Esbravejo
De compaixão.
Soluço pausadamente
Com a degustação
Do sal
Molhando os meus lábios
De ingratidão.
SENSAÇÃO
Corpos nus rolam compactados ... Suspiros voam aos telhados de vidro .
Desejos são beijados pelo toque adocicado , d as maçãs proibidas nas noites de luar cheio .
Ursos selvagens correm afoitos , n as cavernas gélidas que exalam palidez ,
Derretendo as chamas , e m pedaços esbranquiçados ,
Lançando -os ‘a um vento uivante ...
De stemido como a lança que fere um coração ,
Divide e m partes retangulares as cores da vida cravadas, no manto esférico.
Promessas cultivadas se arrastam aos pés de galhos esmaecidos,
Sem proteção caem nos abismos com forças de ressurreição...
A chuva de granizo espalha sementes de framboesa no tapete branco,
Manchas vibrantes assolam o caminho dos corpos agora vestidos,
Pelo vermelho da sofreguidão.
Passos longos cerzidos pelo tempo, com agulhas plásticas,
Envergam caminhos vazios, na textura de algodão,
Corpos transparentes deslizam na sutileza do adeus... Abraços choram a solidão.
Palavras percorrem as curvas entre os blocos amassados,
Embaralhando o sentido real...
Desabam nos corpos simétricos a visão da luz,
Incendiária!
Corpos acasalados se vão... No anoitecer empoeirado,
Com gosto de naufrágio...
ALMA
Minha alma
De
Vernáculo
Escreve
Em tons pastéis.
Pincelando
A leve
Nuance esfumaçada
Das brumas da ebriez.
Nessas cores suaves
Retratos molham a sua tela
Com guaches derretidas pela ilusão.
Sombras efêmeras dançam
Na mais intrínseca movimentação
Formadas pelas figuras prosaicas
Do hemisfério da consolação.
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