Versos para Um Boêmio
Conforma-te, caro amigo, pois passamos
e nossa mocidade que não volta
só traz em nossa mente velhos sonhos
-lamentos de tristeza e de revolta!
Olha para mim, amigo, e veja
que tudo que é bom e alegre, tudo,
vive em meu olhar tristonho e mudo;
e a seiva que, nova, em mim viceja,
não é mais que o mar cansado que esbraveja
na ânsia louca de sobreviver no mundo!
Acolhe em teu sonho a morte do passado.
E tua alma descanse em um futuro forte,
pois, todo o ideal que vive a nosso lado
caminha sem destino, ao sabor da sorte!
Itamonte 15/08/61
A Chuva e a Criança
Criança ainda, me punha à janela,
A ver a chuva fria que caia,
E o pensamento se fundia a ela,
Pois, o que era, eu mesmo não sabia.
Vinha do céu - de onde ela vinha -
De tão bonita que era, colorida,
eu me envolvia em algo tão divino
que era a chuva, renovando a vida.
Hoje,cansado pelo passar dos anos,
Ainda a vejo em minha janela...
E sinto a chuva, como os desenganos,
Passar por mim, como eu passei por ela.
A cada gota , cristalina e pura,
Brota na mente leve esperança,
Embora um sonho, uma vã loucura,
De que, a revendo ,volte a ser criança.
Itamonte,15/05/95 |