| A
bruxa do milharal, |
| Uma
mulher já meio velha, |
Apareceu
nos quintais da minha infância |
| Quando
a palha já estava amarela. |
| Em
dias de chuva assim, |
| Não
posso esquecer o limão |
| Que
deixava para ela de presente. |
| (xiiu!
escondido dos adultos!) . |
| Aquilo
era uma lembrancinha |
| Que
ela ganhava de aniversário, |
| Pois
o limão disfarçava o olho, |
| O
direito, que faltava |
| Na
feia, mas simpática, |
| Carinha
de bruxa daquela mulher. |
| E
dela, em troca, |
| Ganhava-se
a felicidade |
| De
se poder crer sempre |
| Na
mágica das brincadeiras de criança, |
No
mundo que só existe para elas - bruxas e crianças. |
| Hoje
, olho pela janela |
| E
o quintal ainda tem milharal |
| E
os dias ainda têm chuva |
| E
têm sol e poeira, quase do mesmo jeito. |
| E
tem limões. |
| Mas
a tristeza, que grande! |
| Bruxa,
não tem mais aqui, não. |
| Eu
olho para a vida de hoje |
| E
me pergunto: onde está a magia |
| De
quando eu era criança? |
| Em
mim, um pouco ainda existe. |
| Mas
as pessoas...as pessoas... |
| Onde
está a magia |
| De
quando eu era criança? |
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